domingo, novembro 30, 2003

HOJE NÃO ACUSO NEM APLAUDO. APENAS CONSTATO

Por razões profissionais, passo parte do mês em Espanha. Como não podia deixar de ser e, como bom Português, devo dizer mal dos Espanhóis, já que a fazer fé no adágio, de Castela nem bons ventos nem bons casamentos. Pois bem, acho que a sabedoria popular começaa a errar nos seus julgamentos ou sou eu que começo a ser meio Espanhol. Leiam apenas alguns dados, para confirmar isto:

Pensões mínimas:

>= 65 anos c/ encargos - 377,9 (1996); 481,1 (2004)
>= 65 anos s/encargos - 321,2 (1996); 408,6 (2004)
< 65 anos c/encargos - 330,7 (1996); 449,6 (2004)
< 65 anos s/encargos - 280,3 (1996); 380,7 (2004)

Viuvez:

>= 65 anos - 321,2 (1996); 408,6 (2004)
entre 60 e 64 anos - 280,3 (1996); 380,7 (2004)
< 60 anos - 213,8 (1996); 303,8 (2004)
< 60 anos c/encargos - 213,8 (1996); 380,7 (2004)

Valores em Euros. Elucididativo, não é?

Semana de competições futebolísticas. Jornais de terça, quarta e quinta-feira a fazerem entradas importantes sobre a matéria. Lá como cá, o tema dá leitores. Uma pequena "nuance" na abordagem. NEM UMA SÓ REFERÊNCIA A OUTRAS EQUIPAS QUE NÃO FOSSEM AS ESPANHOLAS. Impressionante. A única referência era anunciada pela classificação de cada grupo ou tipo de competição.

Dizem-me os meus colegas espanhóis que gostam muito de Espanha e que o nacionalismo está muito presente em tudo que seja competições com estrangeiros. Pois. Acredito, começo a acreditar. O amor à Pátria ao clube ao Paí­s ou à minha cidade, começa por enaltecê-la e nunca por rebaixa-la. Começa pela sua valorização e não pela diminuição. PRECISAMOS DE VALORIZAR O QUE É NOSSO E BOM .

Inquérito Europeu sobre o Ní­vel de Desenvolvimento Tecnológico:

Entre vinte paí­ses, constatam os Espanhóis que a sua situação é dramática (17º lugar) e que o governo se deve empenhar profundamente no reforço das verbas e outro tipo de recursos, para se poderem aproximar do pelotão da frente, comandado pelos paí­ses nórdicos. O inquérito visava analisar a forma de acesso às comunicações através dos seguintes pontos:

1- facilidade de acesso
2- disponibilidade de infraestruturas
3- ní­vel de educação
4- qualidade de serviços TIC (Tecnologia, Informação, Comunicação ) e no emprego da Internet

Justificavam os analistas, que nem a lí­ngua surgia como óbice ao desenvolvimento de conteúdos porque na rede existem mais conteúdos em coreano, chinês e japonês do que em francês ou espanhol. Concluindo, por isso, que o Inglês deixou de ser essencial para a afirmação na rede.

Durante o artigo zurziam as entidades oficiais, sem dó nem piedade, responsabilizando-os, perante as gerações futuras sobre o atraso.

Rematavam , os articulistas, o artigo com um desabafo confrangedor. QUE ESPANHA QUEREMOS NÓS QUANDO APENAS A GRÉCIA E PORTUGAL ESTÃO ATRÁS DE NÓS?

Para mim, foi um inicio de manhã esclarecedor e deu-me a energia suficiente para ir para cima deles. Tomemos Castela que apenas estão a dois lugares e distância.


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