terça-feira, janeiro 27, 2004

ACERCA DE UMA MORTE NÃO ANUNCIADA


O ser Humano é um bicho estranho. Capaz de infligir danos fisícos irreparaveis (Lembram-se do miúdo que no Iraque ficou sem braços e todo queimado?), torturas odiosas (recordemos as nossa prisões no tempo da outra senhora), ou sofrimento inimaginável (Hiroshima e Nagasazi, são apenas exemplos), tem a outra faceta de cair num torpor nacional por um atleta cair fulminado quando jogava a bola.

Eu também faço parte dos que assistiram à longa maratona noticiosa, sobre a morte do Feher, no entanto meus amigos, o que foi que aconteceu ? morreu um jovem. Certo. Mas morrem, diariamente centenas de crianças e adolescentes por razões bem mais comezinhas, como falta de alimentos, medicamentos, água e outros elementos básicos da nossa piedosa sociedade. O que fazemos nós. Blogues de apoio? Manifestações de dor?

A imagem, tem esta capacidade de fazer com que todos fiquemos irmanados na dor dos outros. Vivemos num tempo em que tudo o que acontece na TELEVISÃO, tem dimensão global.

Convenhamos que o luto "nacional" sobre o atleta, tem raias de parolice. Partidos a apresentarem condolências, a falarem no assunto na Assembleia, a virem a público expressar a sua dor. Patético e para além do mais reaccionário e populista. O Zé da esquina que morreu electrocutado, quando trabalhava em precárias condições e tinha uma familia para sustentar com o seu parco salário minimio, não teve esta solidariedade.

Alguém conhece o nome dos trabalhadores que morreram na construção dos estádios onde os Feheres de Portugal passeiam a sua posporrência?

Não, não sou um dos fundamentalista anti-futebol mas, deprime-me esta unanimidade em torno de alguém que a única coisa de relevante que fez na sua vida foi ter 24 anos jogar futebol e morrer em directo.

Desculpem mas existem imagens muito mais marcantes para mim, como esta que está colocada no canto superior direito deste blog.


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