quinta-feira, janeiro 22, 2004

AINDA E SOBRE A GREVE DE SEXTA-FEIRA


Ponto Prévio

Público ou Privado ?
Colectivo ou Individual ?
Norte ou Sul ?
Preto ou Branco ?

Para mim todos, sem excepção, e a tremenda felicidade de poder escolher o que acho ser melhor para os meus objectivos.

Sindicatos sim, SEMPRE. Mudanças de mentalidade já. Na sociedade actual não chega ter razão é necessário levar a sua demonstração a todos. É preciso ter consciência que todos temos acesso á informação, aquilo que estava reservado apenas a alguns letrados, no passado, passa estar disponível a todos através dos diferentes meios de comunicação.
Eu continuo sem perceber como é que os funcionários públicos justificam que seja em Portugal que se encontram os piores serviços públicos da Europa e se mantenha, olimpicamente, o maior número de funcionários públicos por habitante dessa mesma Europa.

É por de mais evidente que tem existido degradação dos níveis salariais do sector público mas, quantas repartições fecharam por não terem clientes ? Quantos funcionários de vincúlo permanente perderam o seu emprego pelo facto da ter diminuido a procura? Não vos parece que os homens e mulheres da Banca da Rhode, da Clarcks e todas as empresas têxteis e não só que têm sido deslocalizadas têm um problema muito maior ?! O problema ? Não, não é só o paradigama capitalista. É a realidade . Brutal, fria e desumanizada.

Os meios de comunicação a Internet e as ATM's introduziram mudanças radicais no sector bancário, colocaram na rua milhares de homens e mulheres perfeitamente válidas e dedicadas. Á pergunta, porquê ? A resposta é " it's the economy, stupid " . Selvagens dissemos nós que sofremos na pele a situação, bandidos capitalistas. Mas sabem uma coisa, os serviços bancários melhoraram galacticamente. Os preços do dinheiro baixaram estupidamente. A oferta melhorou substancialmente. Já não preciso de ir para uma fila de um banco onde um mal disposto funcionário me trata com um camelo pois está ali durante 2, três horas sem poder dar uma passa ou uma mijinha. Mas fosca-se sou eu que lhe pago o salário, pois ele vive do dinheiro gerado pelo meu dinheiro. Agora posso fazer a maior parte das operações sem a intervenção do funcionário e a qualquer hora do dia ou da semana. Quer isto dizer que apoio o despedimento dos bancários. Nop. Apenas constatar que se as organizações portuguesas estivessem preparadas para este fenómeno, poderiam, tal como aconteceu noutros países, criar novos serviços usando a inestimável experiência destes profissionais.

A Zara ( passe a publicidade ) destruiu muitas pequenas empresas familiares, pequenas lojas. Mas o público não benificiou disso ?

Os centros comerciais são uma praga, ok. Mas não será verdade que os actuais Centros Comerciais tem uma oferta de grande qualidade e conforto que os pequenos comerciantes, não sao capaz de dar ? Quem benificiou ? O público.

Gostemos ou não da PT da RTP e outras entidades mastodonticas, olhemos para trás e veremos que as CT eos Sindicatos vieram para a rua fazer contestação á abertura de mercado. Iriam mandar para a rua milhares de pessoas. o serviço seria pior. passados anos o que temos ? Estas empresas sobreviveram , estão mais ágeis, tratam-nos melhor e o publico benificiou com melhores serviços e preços mais baixos.

E os serviços públicos ? Estão melhores ? Alguns sim, sem duvidas, outros como a educação, .... bem falem os especialistas.

Que protestam os funcionários públicos ? Politicas de aproximação ao público ? usando por exemplo, cada vez mais as comunicações para facilitar a burocracia ? é pá, espera lá isso vai dispensar malta que está aos balcões, não pode ser. Ok, Ok , o público pode benificiar do serviço mas temos menos malta no sindicato, esquece.

Cursos de formação para um melhor atendimento ? É pá esquece lá essa merd... que o que precisamos de saber é o númro dos formulários e para que servem, afinal de contas eles não podem ir a outro sitio, por isso têm que nos aturar.

Pagamento de propinas ? nop, mas podiamos exigir que o dinheiro gerado pelo pagamento da população de uma escola fosse utilizado nessa escola. Era bonito, assim teríamos uma competição saúdavel entre escolas e corpos decentes para criar melhores locais de ensino. Éuito trabalho, não cobnseguimos nada, esquece.

Pois, este poderia ser um pequeno extrato de uma conversa a dois tres ou mais aderentes a esta greve.

O que me irrita é que quem paga o salário dos funcionários somos nós e por isso temos a obrigação de exigir qualidade. O rácio ganho/resultado é altamente deficitário para a entidade empregadora. Ou seja, pago a alguém que presta um mau serviço e não o posso despedir e empregar outro.

Será isto justo ?

Uma nota final. Não duvido que existem profissionais que se sentem desconfortaveis com criticas deste tipo e, que mesmo assim, vão fazer greve. É legitimo. Mas começa a soar a hora de separar as águas e mudar o discurso.


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